É importante saber de qual Orixá eu sou filho?

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*como sempre, esse é mais um texto baseado em minhas experiências e naquilo que estudo e acredito. Você é livre para pensar diferente. Pegue o que fizer sentido para você e siga em frente*

Começo esse texto com uma lembrança da qual eu tenho muito carinho, do primeiro dia que pisei em um terreiro. Seu Dias, o chefe de terreiro, me dava o primeiro passe da minha vida, girava em volta de mim cantando um ponto de Iemanjá. Eu ouvia o ponto, e sentia perder os sentidos, quase cair. Nessa hora, ele me segurou firme e falou a frase que eu nunca mais esqueceria:

“É menina, você é filha de Iemanjá e precisa trabalhar. Colocar o branco e desenvolver sua mediunidade”

E essa foi a primeira vez que alguém me disse ser filha de algum orixá. Mas pouco tempo depois, para a minha surpresa, ao ir desenvolver minha mediunidade em outro terreiro, a mãe de santo me disse que eu era filha de Oxum. E ela afirmava com todas as letras, como se não tivesse dúvidas.

Alguns anos depois, após mudar de cidade, comecei meu desenvolvimento em outro terreiro e ouvi de mais de uma pessoa que COM CERTEZA eu era filha de Iansã. E quando isso aconteceu eu comecei a pensar muito sobre o quanto super valorizam a questão “ser filho de orixá X” e o quanto isso NÃO importa.

orixá
Arte: Orixas Dance is a painting by Marcus Wang

Como nunca tive confirmação direto dos meus guias, de quem são meus pais de coroa, eu decidi olhar pra isso de uma forma mais generalista e com muito menos apego. Li uma vez que todos nós somos filhos de todos os orixás, e que em determinada fase da vida um deles está mais presente emanando suas energias. Foi assim que pude compreender porque em cada lugar me diziam ser filha de um orixá diferente, fiz uma análise dos momentos que vivi em cada época e percebi o quanto fazia sentido eu ESTAR filha de Iemanjá naquele meu primeiro dia no terreiro.

Se você é da umbanda ou do candomblé talvez pense que eu deveria ter tirado nos búzios ou feito uma iniciação de um jeito X para confirmação. Mas a real é que eu nunca senti necessidade dessa confirmação, minha forma de trabalhar na umbanda e o que acredito sobre espiritualidade não dependem de saber de qual orixá sou filha.

orixá

E porque saber seu Orixá?

Dentro de alguns terreiros de umbanda e do candomblé (talvez em outras religiões africanas também), é interessante o médium saber seu orixá para compreender a melhor forma oferenda-lo e suas quizilas (atos e alimentos que contrariam as energias dos orixás). Mas em tantos outros terreiros de umbanda, essa informação não é essencial para o trabalho mediúnico, por isso realmente é indiferente saber de qual orixá você é filho.

Se você não é médium…

…essa informação realmente vai ser ainda mais difícil de ser confirmada com 100% de certeza. E saber de qual orixá você é filho é uma informação que você utilizará com qual intuito? Vejo sempre muitas pessoas que ao conhecer a umbanda querem logo saber de que orixá são filhos, tudo pra poder sair por aí dizendo o quanto amam Iemanjá ou Oxóssi, mas essas mesmas pessoas não querem assumir o compromisso com o terreiro e com a caridade, então PRA QUE saber essa informação?

Sempre bom refletir o quanto estamos de fato dispostos a ter a umbanda na nossa vida por completo, e só saber de qual orixá você é filho e andar com uma guia no pescoço dizem muito mais sobre ego do que sobre compromisso com o orixá.

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Ilustra: Revista-Graciliano

De forma geral, se você é médium, não existe certo ou errado neste assunto. O que existe são casas diferentes, pais e mães de santos diferentes e você só precisa estar de acordo com as regras daquele terreiro onde você trabalha. Fora isso, o que está do lado de fora, o que o outro acredita não é um problema seu.

É importante a gente escolher nossas verdades, e mais ainda, seguir nosso caminho em paz. O que é fundamental de tudo isso, é manter o trabalho atento, humilde, caridoso, assim alegrará a todos os orixás, não só aquele que acredita ser filho.

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